sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Duas frases:

Finalmente. Eu vou me esquecer um pouco do mundo. Vou me ausentar, por um mes aproximadamente. Devo continuar postando, não com tanta freqüencia. Mas tá tudo bem, meu unico leitor frequente sou eu mesma. Não quero nunca mais ficar repassando as memórias da minha mente, eu acabo a vendo por outro angulo. Eu acabo distorcendo toda a memória. Não, nada de repassar histórias na minha cabeça. Acabou. Passou. É fim, nada precisa ser repassado, revisto, relembrado. É melhor esquecer. Esquecer. O pior sentimento é o de cansaço. Exaustão. Estou exausta e não consigo pregar os olhos. Não consigo dormir. Repasso em mim várias histórias, até elas se tornarem outras histórias com os mesmos personagens. E ai, a perspectiva muda, as idéias mudam, eu mudo, vagamente, devagar, deliciando cada pequena mudança de humor. To me sentindo como uma pedra, rara. Uma pedra preciosa, um rubi. Inalcansável. Frígido, na escuridão. Um rubi. Um rubi. Ou então algo mais vago. Tão vago que não encontro exemplos. Água fria. Água fria, corre na minha cabeça. Água fria me limpa. Água fria.

Duas frases:
Querendo ou não estamos todos cansados esperando o fim. Simples assim.
Por causa da pressa dos preparativos da viagem, me despeço por aqui, com uma postagem curta, fria, direta.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Come-la.

Um novo dia. Novas histórias. Novas lembranças. Novas memórias esquecidas na água do mar que lambe a areia. Em algum lugar eu durmo. Em algum lugar eu esqueço. Eu morro. E por morrer eu finalmente comprovo que vivo. Sou mortal. Sou mortal. Repita para que não se esqueça. Abra os olhos, veja tudo. Sou mortal. Sou mortal. Viva intensamente, com o perigo de morrer. Sou mortal. Repita para não esquecer. Sou mortal. Somos todos mortais. E por que lutamos desesperados pela vida eterna? Por que esperamos que a morte não nos visite? Sou mortal. Não esqueço. Não perdoo. Sou mais que mortal. E eu sei. O importante é saber. Não esquecer. Sou mortal. E não nego, temo. Temo mais que tudo. Mas vivo intensamente, sabendo que um dia morrerei. É inevitável. E por isso eu amo, por isso eu odeio, eu vivo. Eu vivo. Eu vivo. Só não diga que não viveu. Viva para não se arrepender. O arrependimento pune. O arrependimento é o pior sentimento que se pode ter. Erramos, isso é fato. Mas o arrependimento é um sentimento destrutivo. Destrói corações, destrói almas, destrói homens, destrói soldados bravos que sobreviveram a guerras. Destrói. E por destruir, trucidar, alucinar os mais simples e os mis complexos, é o pior sentimento que se pode sentir. Senti-lo é amargamente trucidante. Sonhe, sonhe, sonhe. Ter sentido é um sonho. Nos sonhos e me entendo. Feche os olhos querido, durma, sonhe. Sonhe e seja simples. Simples e sonhe. Sonhos.

O que não me dizem os livros empoeirados da prateleira?
O que eles querem dizer?
Eu não so capaz de entender, de compreender o que eles dizem.
E ninguém quer me explicar.
Ninguém me diz o que as palavras querem dizer.
Ninguém me diz o que elas não querem.
Eu quero entender as palavras que saem da sua boca.
Eu quero deleita-las e sentir o sopro que elas fazem.
Eu quero entender.
Para que eu possa beija-lo, para que eu possa beijar a sua alma.
Porque eu cansei de superficialidades.
Eu cansei de ver meu reflexo no espelho.
Cansei de olhar para o fundo das águas limpidas e não ver nada.
Não vernada além de uma moça que não conheço.
Nunca a vi.
Quero conhecer esa moça.
Quero entender essa moça.
Quero devorar essa moça.
Devorando-a, talvez eu a tome para mim.
Talvez assuma a sua vida.
Os Incas pensavam assim.
Ou será que eram os Maias?
Quero devora-la,
estilhaçar sua carne nos meus dentes.
Quero devora-la,
de todas as maneiras possíveis.
Embebedar-me de sua exência.
Quero devora-la.
Quero come-la, trucida-la.
A moça, coitada.
Quero-a para mim.
E só para mim.
Quero devora-la.
Devora-la.
Come-la.
Bebe-la.
Mata-la.
...
Menos, cada vez menos. Menos. O menos me assusta. Quem tem tudo a perder. Tudo. Tudo ou nada? Quero o nada. Se eu tive-lo só terei a ganhar. A idéia do prêmio me fascina. Nada.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vertigens

Novo dia, novas lembranças, novos segundos que passam. Novos grãos de areia aparecem, novos grãos de areia somem. A praia ondula, ela dança, uma dança nua, vulgar. Os grãos de areia molhados, colam nos pés. Os pés sujos de areia caminham pela calçada. A calçada quente do sol de verão se enche da poeira marinha. Combinação perfeita. Amanhã é natal. Devo saudar o nascimento do menino Jesus. Amanhã. E por que eu não me sinto com a menor vontade de faze-lo? Posso comemorar o seu nascimento assistindo a um filme hollywodiano barato? Comendo pavês e brigadeiros? Ah, amanha é natal. Não quero seguir a clichê troca de presentes. Não quero presentear ninguém a não ser a mim mesma. Eu sei é egoista, mas eu sou egoista e isso é um fato. E o meu egoismo me sustenta. Como uma bengala sustenta um corpo cansado. Quero afogar minhas mágoas num copo de coca-cola. Quero afogar minhas mágoas naquele filme que eu vi um dia ("Pele morena" se não me engano). Quero afogar minhas mágoas, e isso é o mais sólido que consigo escrever. E só pelo fato de escrever, sinto as mágoas esvaindo, as dores correndo, e a alegria brotando, como água nascente. Alegria, talvez. Risos transbordam facultativamente nos meus lábios. Ao mesmo tempo que lágrimas brotam de meus olhos de repente. Lágrimas sem precedentes. Lágrimas sem precedentes... Lágrimas sem moral, lágrimas quietas, que não secam. Lagrimas que envelhecem meu rosto, cada vez mais. É um coma conciente. É um coma. Sorria, você está sendo filmado. Pra que sorrir? Só porque alguém em algum lugar está me assistindo? Que se foda. Quero mais é dar o dedo do meio! Alguém me ve e não o vejo. Me parece meio desigual.. Sorria, você está sendo espionado. Me parece uma frase melhor e mais verdadeira.

-Olá, como vai você?
Só passei pra dizer:
Te amo.
-Vou bem, obrigada pela visita!
Sinto te informar, não te amo.
-Não me ame.
Ama-lo já me basta.
-Não te incomoda saber que não é reciproco?
-A reciprocidade é um prêmio, ama-lo é a felicidade incondicional.
A duresa dos anos que passam, acontece o reencontro, no mesmo portão, das mesmas pessoas, com os mesmos sorrisos, destinos semelhantes, histórias mudadas:
-Olá, como vai você?
Só passei pra dizer:
Não te amo mais.
-Vou bem, obrigada pela visita!
Os anos lhe foram companheiros.
-Adeus, já vou indo, tenho pressa.
-Passar bem!
O interior do outrora amado e agora desamado lhe diz:
Sinto que perdi o que jamais possui, eu o amava.
...
Eu teno vertigens. Adimito-as. Todos possuimos umas dúzias delas. Vertigens. Encheriam a página, caso quizesse nomea-las. VERTIGENS.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Esquecer.

Bom dia? Supostamente deveriamos ser simpáticos o suficiente para dizer bom dia. Pra que? Não quero. Não quero ter de cumprimentar quem eu não gosto, quem eu não conheço. Não quero viver nesse nível do clichê. Não quero me apaixonar pelas mesmas coisas, pessoas, livros, programas. Quero ter um mínimo de originalidade, e ISSO, soa muito clichê. Me perco cada vez que busco em mim um ponto de originalidade, porque eu sei que no fundo eu sou igual a todo mundo. Sofro as mesmas coisas que todo mundo, do mesmo jeito, e desabafo com as mesmas lágrimas, e espero a mesma compreensão. Um dia quero ser forte o suficiente pra resistir. É, eu mereço ser forte o suficiente para resistir.
Não há porque.
Não há luta.
Chegou ao fim.
Não tem o que dizer ou fazer.
Não tem o que pensar.
Tá tudo digerido, e eu sei, eu entendo,
apesar de preferir esquecer.
É passado, e lembrar é formalidade.
O que todos querem é esquecer.
E eu quero mais é não lembrar.
E não lembrando eu nego nomes.
E os negando eu não me predo.
Passado, te-lo é mera formalidade.
...
Não há o que lembrar, se não há nada inesquecível. Esquecer é um detalhe, é um fim mais que justo para as lembranças que não são importantes. Lembranças perdidas, quem não as tem? Quem nunca esqueceu o aniversário daquele tio que sumiu? Quem nunca esqueceu um nome? Esquecer é compreensível. Ser esquecida é compreensível. Eu sei que já fui esquecida. E sinceramente não me incomodo. Desde que quem eu não esqueço também não me esqueça. E caso esqueça, que esqueça. O importante sou eu lembrar. E se eu lembro tá tudo bem, porque o importante é eu ter lembranças na minha cabeça. A minha memória é que importa. Só ela. Eu sou egoista. Só eu importo. Só.

domingo, 21 de dezembro de 2008

"Prazer" de ser esquecida

A facilidade de um sorriso virar lágrima me assusta. A facilidade com que a felicidade se evapora me incomoda. Vai ser sempre assim? Estou sentindo o que a tanto tempo pedi pra sentir. Acho que é assim, quando se deseja MUITO uma coisa e realizamo-as, percebemos que nós não a queriamos de fato. É, eu to sentindo aquele bendito "prazer" de ser esquecida, pelo qual tanto rezei. Mas, ele não é nda do que eu pensei, é só mais um sentimento vazio que nos entristesse. E tudo que eu olho, e tudo em que eu penso, me parece tão vazio, tão fútil, tão vulgar. Eu não queria ter sentimentos. Não queria ter de pondera-los. Na verdade, não queria. Não queria nada, ou tudo. Queria sumir um pouco, esquecer os problemas, as amizades, os rolos, esquecer quem eu sou, qual meu nome, raizes e gostos. Passar um dia no vácuo. Porque o vácuo me parece tão reconfortante agora. O vácuo me parece o melhor lar que eu poderia ter. O vácuo. Porque eu sei que litros de refrigerante, quilos de sorvete, pipoca e chocolate, não levarão meus problemas embora. O negócio é desenterrar o Urso Teddy do meu armário e passar a noite fazendo confições à ele. Ah, como atestado de maluca, eu conversei com um sapo ontem. Pena que o sapo só me olhou e pulou no meu colo. Foi até uma sensação agradavel, o sapo me queria. Gostei, passei a noite falando com ele, quando derrepente ele pulou e foi embora. Acho que ele sentiu que tinha cumprido seu papel. E eu acho que de fato ele o fez. A noite foi mais fácil de levar, acho que nem pesadelos tive, apesar de acordar toda hora. Me peguei numa filosofia. Por que é tão difícil dizer adeus para algo/alguém que nunca te pertenceu? No início eu pensei no sapo, mas acho que o sapo era só uma metáfora. Ou uma metamorfose? Um sapo que não vira principe. Um sapo que sai sem se despedir. Um sapo que não volta, que não me dá nome nem telefone. Chamei o sapo de Seu Souza. Acho que era melhor falar que conversei com o Seu Souza do que dizer que conversei com o sapo. Eu sei que minha mãe surtaria, do mesmo jeito que surtaria se soubesse que ele pulou no meu colo. Do mesmo jeito que eu sei que surtaria se eu falasse que me arrependo de não ter beijado o sapo pra ver se virava príncipe. Ah, a história modesta? É que eu sou a meia-irmã da Cinderela. O futuro da história? Eu vou limpar estábulos e ficar pra titia. Talvez eu seja a mulher do apartamento do quinto andar, que ninguém nunca viu, mas que sabe que está lá, acompanhada de 27 gatos, que morrem junto com ela sufocados no gás que escapa do fogão. Estória triste? Não, na verdade acho até um final grandioso. Melhor do que morrer de velhice, com uma família inteira vendo você se degradar cada vez mais. É, acho que é assim que escolhi morrer, com os gatos. Os gatos são companheiros, eles vão, mas se você continuar pondo comida para eles, eles voltam. Posso casar com um gato?

Inspiro-me em lembranças nunca ocorridas.
Momentos que só foram vivenciados em meus sonhos.
A complexibilidade dos meus atos sempre tão falhos é ao mesmo tempo coerente e inexplicavel. Não sei transcrever os pensamentos que processo.
É uma doença irremediávela inspiração que me atormenta com textos incompreensíveis.
Começamos a fraquejar desde que nascemos, ao dar o primeiro suspiro.
Respiramos porque somos fracos, não somos fortes o suficiente pra batalhar inconcientemente contra a vida que não escolhemos receber.
E ainda assim, cada vez que enchemos e esvaziamos os pulmões de ar, caminhamos em direção a morte.
Em direção a morte que em geral não é desejada ou programada.
Morre-se com a mesma rapidez que vive-se.
E eu vivo desde antes da biologia determinara fusão dos gametas.
Vivo desde antes de ocupar algum lugar no espaço.
Vivo porque penso, questiono, suplico pela alegria em viver.
Busco além de tudo um cantinho embaixo da árvore, com o sol emaranhado em nuvens, um poço raso de inspiração dando acesso àum lençois subterraneo de imagens e palavras que sensibilisam as pessoas, inclusive eu.
...
Cansei de ouvir as mesmas músicas de sempre, cansei de ver os mesmos filmes. Tudo sempre acaba bem, ele ama ela, ela ama ele, o vilão é preso, eles casam e tudo acaba em festa. Não é assim. Por que? Por que eu não posso viver um conto de fadas? Ah, eu queria ser um filme. Um daqueles em que a Ginger Rogers sapateia ao lado do Fred Astaire. Ela parece sempre tão feliz. Ele parece sempre ter a arma para dissolver os problemas dela. Eu preciso da minha arma para dissolver meus problemas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O riso da lua.

Estou feliz! Admito, finalmente depois de dias, semanas, meses, estou me sentindo de fato feliz! Estou sentindo que eu posso fazer o que eu quiser. Que eu posso ter o mundo todo. Embora que o que eu queira seja bem mais simples que o mundo. E o que eu quero está cada vez mais perto. O que eu quero está pra se realizar, e essa possibilidade me alegra. Eu alcansarei, porque o topo da montanha não é o suficiente. A vista não é bonita o bastante. Eu preciso de mais. Eu sei, estou sendo gananciosa, mas eu preciso, eu quero, mais. E apesar da minha frustração com outros problemas, e com outras preocupações, eu quero esquecer tudo. E eu só quero dormir. E sonhar.

Eu quero dormir.
Não é que eu esteja cansada.
Mas eu quero sonhar.
Nos sonhos eu te encontro, e você não faz mais nada do que me amar.
Você não faz mais nada do que ser meu.
Ser meu!
E só é possível em sonhos?
Só é possível estar em seus braços na minha inconciencia?
Sonhos.
Neles é tudo tão perfeito.
O tempo não passa, e tudo para, pra me ver refletida nos seus olhos.
O tempo para pra ver que eu te amo.
O tempo para.
Você me beija, enquanto eu sonho.
Você me ama, nos meus sonhos.
Eu te beijo, enquanto você sonha, nos meus sonhos.
Eu te amo, enquanto você sonha.
...
Diga "Oi" para a lua. Ela está especialmente mais bonita hoje. Parece que ela sorri. Diga! Vá a janela do quarto, olhe pelo vidro, e diga:"Oi". Bata um papo com a lua, fale para ela da sua vida. A lua, a lua, a lua. Diga "Oi". Se você der sorte ela te responderá. Se você tiver sorte ela te dirá de tudo que ela assiste, de tudo que ela vê. E de conversas outras que a lua teve. E de conversas outras. A lua é tão simpática. Diga "Oi". Você não irá se arrepender.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Goleada de domingo.

Tenho uma teoria. Nada é complexo. Nada é confuso. Nada. Nós somos a causa da complexibilidade, da confusão. Nós somos a causa dos males da vida. Nós. E somos tão hipócritas a ponto de não enchergamos isso. Somos lagartas enclasuladas. Somos lagartas sem cores. Somos todos iguais esperando o fim do inverno para sair de nossos casulos. Mas somos medíocres. Temos medo do inesperado. Temos medo do imprevisível. E o mundo, é imprevisível. O futuro é imprevisível. O futuro me é nocivo. É um veneno em que me deleito. O medo de caminhar de olhos fechados, num campo desconhecido. Eu me escondo, no meu casulo. Sob proteção dos meus fios. Da minha colcha, da minha cama, do meu mafuá. Eu admito, tenho medo. Mas me arriscarei, só porque tenho esperança de alcansar o bendito final feliz. Final feliz. É, acho que eu mereço o meu. E a felicidade não passa da glória. Não passa do sentimento de alcansar o topo da montanha. O topo da montanha da qual não queres descer.

Eu fecho os olhos.
Te vejo na minha frente.
Eu sonho, eu penso.
Te vejo na minha frente.
Te vejo na minha frente.
Te quero na minha frente.
Na minha frente, o melhor lugar que você poderia estar.
Na minha frente.
Nos meus olhos.
Na minha boca.
Em mim, o melhor lugar que você poderia estar.
Sem culpas, sem porquês.
Porque o mundo para, quando estou com você.
O mundo parece esperar.
O mundo compreende a importancia disso.
Te vejo na minha frente.
Te quero na minha frente.
Não saia dai.
Não solte minha mão.
Te quero na minha frente.
A intensidade é tão forte e verdadeira,
que por mais que você vá embora,
você ainda estará na minha frente.
Nos meus pensamentos e sonhos, você não sai da minha frente.
Você não sai da minha mente.
...

Maomé cansou de esperar, levantou e foi pra montanha:
-Viu Maomé, não te disse que a vista era incrível?
Maomé está feliz, nunca se sentiu assim, está realizado. É como a partida de futebol, que decide o campeão, aos 45 do segundo tempo, aparece um jogador que nunca se destacou, ele chuta e...
-Goooooooooool, é campeão internacional!
Honestamente? Eu chutei, e marquei meu gol.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A passos largos.

Cada vez mais acelero meus passos. Cada vez mais. E deixo tudo pra trás. E esqueço o que fica pra tras. E esqueço porque não me pertence. Esqueço porque não sou dona de nada. Não sou dona de ninguém. Não sou dona nem de mim mesma. Não sou porque não posso controlar uma vida. Não quero ter pra mim essa responsabilidade. Não, não posso. Quer ser livre como uma borboleta. Quero ser uma borboleta. O problema é que ainda sou uma lagarta enclasulada. O problema é que não quero dexar meu casulo. O problema é que tenho medo do imprevisível. E por teme-lo, evito-o. E evitando-o vivo na mesmisse. E essa mesmisse me angustia. E minha angustia acaba comigo. E por isso eu digo que cada vez mais eu esqueço. Porque todos mudam, e eu sigo na minha mesmisse, e fico pra tras, sozinha.

E aqui me despeço deste teatro que não queria participar. E apesar do alívio de finalmente poder descansar, meu semblante é triste e sinto me aturdida por um turbilhão de idéias que não consigo controlar, nem ao menos contextualizar e por isso concluo minha despedida com a ultima lágrima que meus olhos secos, quase soltos de minha face cinza e rija são capazes de produzir. A campainha toca, minha mais nova eterna condição acaba de chegar. O cheiro de morte invade a sala e eu dou meu ultimo suspiro, segurando com força na mão direita- ou será que era a esquerda? - algo que não me recordo muito bem, mas cujo brilho de relance foi a ultima coisa que vi em minha vida. E passei a esta condição insólita que prefiro chamar de punição, não, não era essa a palavra. Mas esqueçamos isso agora, depois eu busco uma melhor. O que importa é que no momento- em que meu olhar gelou e meu respirar cessou, e meu coração petrificou- eu soube que cada decisão que eu havia tomado seria ali posta de lado, e eu perceberia, mais cedo ou mais tarde- no meu caso bem mais tarde- que nada importa na morte, a vida. Sim, foi nesse momento que eu pude entender que apesar de morta estaria na minha mais nova fase, no meu mais novo mundo, em breve eu seria uma borboleta. Isso, essa era a palavra, casulo, foi assim que eu julguei a minha morte.
...
Porque eu sei que estou morrendo lentamente. E essa sensação é a menos agradável possível. Eu sei estou morrendo lentamente, e não há nada que faça essa dor parar.E eu sei, nada vai estar bem. Nada vai acabar bem enqunto eu continuar vivendo mediocremente. Essa mediocridade me humilha. E humilhada não passo de uma formiga rondando um prato de doce, sem coragem de atacar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Não sou

Os dias vem e vão. Cada dia te reserva uma surpresa. Hoje, creio que tive boas surpresas, mas sem dúvida, tive um bom dia. Tudo começou com o fim do ano letivo, vamos concordar que já era hora do meu merecido descanso; seguido de uma tarde um tanto que adequada para a ocasião. O sentimento de quitação de dívida é tão amplo que me toma por completo. Parece que meus olhos não dizem mais do que:"estou livre". E eu sei que de certa forma não estou. Nunca estou. A liberdade completa é um sentimento que eu desconheço. Sempre há o que me prenda na terra, sempre há o que me prenda na vida que eu levo. E sinceramente, o que eu mais quero agora é virar a mesa, e esquece-la. Esquecer o passado, as raízes, tudo. Mas sempre há o que me faça não optar por tal decisão. Nesses dias o fator que me faz esquecer a possibilidade de uma nova vida é o carinho que tenho pelas pessoas que me cercam, e o carinho que sinto que elas têm por mim. E eu acho que a isso damos o nome de amizade. É, amizade. Esse sentimento puro, sem segundas, terceiras ou quartas intensões. Um sentimento tão simples que não somos nem capazes de explica-lo. Um sentimento que se mistura com extase, com prazer, com alegria. Amizade. Talvez um dia eu deva escrever sobre o que acho que esse sentimento significa, mas isso com certeza é assunto pra outra hora. O assunto de agora, é que tudo é um assunto inacabado. Cada parte da minha vida, parece que falta um pedaço, parece que eu desisti do fim, parece. E tantas coisas parecem. E o parecer não me satisfaz mais. E o pior é que nada parece me satisfazer mais. É como se eu buscasse o inalcansável. Como se buscasse o corpo perfeito, o homem perfeito, a família perfeita, a vida perfeita-que todos aqui sabem que não está ao meu alcanse. E o pior é que o que é perfeito pra mim simplesmente não existe. O perfeito pra mim é uma vida trangenica, um mundo paralelo, uma barreira que eu ainda não ultrapacei. E é como se eu esperasse que o perfeito caísse no meu colo. Eu sei disso, eu não luto por ele.

E eu sei, teus olhos já não buscam mais os meus.
Não sou.
Eu sei, minha boca não é mais o teu refúgio.
Não sou.Eu sei, tua vida não me pertence.
Não sou.
É o que repito pra mim, Eu não sou.
Não sou o que você sonhou, não sou o que eu sonhei.
Não sou.
Não sou, e continuarei não sendo.
Não sou.
Porque é a minha função: não ser.
Porque enquanto eu continuar não sendo, um outro alguém poderá ser.
E enquanto outro alguém puder ser, você ainda terá motivos para sorrir.
E por isso eu repito:
Não sou,
não sou,
não sou!
...
"Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé(?)" Maomé tem preguiça. A montanha não tem pernas. Alguém me explica esse estranho dilema? Eu irei à Maomé, e direi a ele que a montanha nunca aparecerá em sua frente, que é melhor ele pegar um par de tenis bem confortável e começar a caminhar em direção à maldita montanha!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Resolução

Estou naquele momento crítico da vida, em que a felicidade se resume à uma barra de chocolate. Estou naquele momento pseudo suicída que nos leva a achar que não merecemos nada que temos. Eu estou sozinha, eu adimito, sozinha na escuridão de meus pensamentos. Sozinha na imensidão do meu quarto. Sozinha na loucura de meus pensamentos. E eu procuro respostas de perguntas que eu não faço. Mas as respostas não chegam, as respostas me ignoram. E eu imploro por um momento de paz e felicidade, mas como elas podem chegar a mim? Como podem vencer a barreira de sonhos ilegítimos que me tomam. Sentimentos bastardos. E esqueço pouco a pouco a funcionalidade da barra de chocolate. Cada vez mais a deixo de lado, cada vez mais consolada pelas formigas. Até as formigas tomam sua dose diária de alegria. E eu sozinha, cada vez mais. Tenho medo dos meus pensamentos. Eu sou impulsiva.

Me afoguei na minha incoerencia
me machuquei na minha inocência
Decidi que pararia de lutar
talvez abrir os braços e voar
Escolhi pelo meu egoismodo

que me doar sozinho
Do que me esquecer freqüentementedo
que me acordar de repente

Preferi vagar quieto
sem futuro certo
Sem entender o lamento
que o mundo murmura

E parei adiante uma curva
me pequei
Pensando em tua cintura nua
que meus braços querem tanto abraçar
Pensei, em teu corpo quente

no luar ardente
Que nos viu, acorrentados e descrentes
do amor e da paixão

Me sinto, tão estúpido,
por pensar que fugiria
Que na noite fria
meu corpo não desejaria o teu

E que teus beijos
não seriam calados
Nem teu calortão vital e nescessário

Lembro agorade tua mão sedosa
Me acariciando a face,
outrorae agora selada à outra

Penso em tudo que fizeste
em tudo que falamos
E achei que quizeste
amar como nos amamos
O doce luar, me toca leve

já sei, não há prece
que a traga de volta pra mim

Dou um último olhar, breve
para a noite que cresce
E viro na curva,
aqui já não é mais lugar pra mim

...

Fim.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Um alerta.

E cada vez mais me surpreendo com os laços de afeto de uma pessoa para com a outra. E cada vez mais vejo que nem todas elas herdaram o tom frio e cínico que eu tenho de ignorar muitas das vezes o sentimento alheio. A desistência. As pessoas desistem, trocam os planos, mudam tudo pelos laços afetivos. Devo admitir que sinto inveja dessas pessoas. Gostaria eu de mudar tudo que planejo para ficar perto das pessoas que supostamente gosto. E gostaria também ser alvo das mudanças repentinas de planos. É, talvez assim eu fosse completa. Talvez assim a minha existência fosse de alguma forma explicada. E como não a é, eu preciso continuar procurando, embebedando-me desse veneno que me mata aos poucos, procurando inutilmente uma resposta que de antemão eu sei que não vou encontrar. Os amados e amantes, que têm sorte. Quem diz que nunca gostou de sofrer de amor? A pontada no peito na hora da partida, o coração aceleredo nos encontros, os olhos que falam mais que qualquer palavra. Tudo isso. Eu trocava qualquer coisa, ou quase qualquer coisa, por um mísero dia em que eu pudesse desfrutar desses sentimentos. Mas a lei é clara meu grande amigo. Se você não tem, não é seu, não te pertence. É claro, existem aqueles amores roubados, mas eu prefiro algo mais autentico. E toda vez que me pego imaginando uma saida pra essa solidão na qual me encontro, descubro que a busca é inútil e infrutífera. Eu cavei a cova, eu comprei o caixão, eu me enterrei sozinha num dia escuro pra ninguém impedir. E agora eu me junto aos outros, que como eu, são egoistas a ponto de não deixarem o mundo ve-los sofrer. E querendo ou não, estamos todos cansados esperando o nosso fim...

Rios fundos que lavam almas,rios que desaguam em terras longiquas,
histórias de amor que um dia acabam,
finais felizes que nunca chegam.
Passados recem apagados como desenhos na areia,
saudades de um tempo que não mais volta, saudades de uma pessoa em especial,
de um riso que ficou menos sincero,
de uma palavra menos solta,
de um mundo na distancia,
de um risco fino no rosto, que só arde na mais aguda névoa do inverno.
Te querer é inevitável,
no maior ardor de angústia,ainda nececito de tua presensa.
De teu braço pesado envolvendo-me,
das palavras doces que sussurras no meu ouvido.
Já estás na minha vida, e isso é irreversível.
Saudades do seu olhar em encontro com o meu,
do seu sorriso que transpareceu,
do abraço que há muito não dou,
do beijo que ninguém notou,
que só aconteceu nos meus sonhos.
...
Eu sei as horas passam, e com elas os meus sonhos. Eles se esfumaçam pela janela, e em pouco tempo já não existem mais. Eu sei os dias passam, e com eles a minha vida. Ela se esfumaça na minha frente, e em breve não a possuirei mais...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Triste notificado

A morte está a caminho, sinto muito dizer assim, com essas palavras, mas é verdade. E cada vez que você respira, você dá um suspiro em direção a morte. A morte está a caminho, não tem como intervir. Um dia você fechará os olhos (talvez não) e não terá o direito de abri-los novamente. Será seu fim. Será o início da sua decomposição, os vermes brincarão por entre suas carnes e gorduras, e somente então você saberá que foi tudo em vão. Acredito que nosso pensamento seja por demais abstrato para simplesmente sumir quando morremos. Acredito que em algum lugar nossas idéias passeiam ainda por algum tempo. Até que se tornam obsoletas o suficiente para terem seu lugar negado na imensidão.

Fecho os meus olhos com o meu maior medo de não poder ve-lo novamente.
Fecho meus olhos preparando-me para não enchergar mais nada quando abri-los.
Fecho meus olhos sem esperança de acordar deste sonho, que eu sei que na verdade é pesadelo, e que eu sei que não vai acabar.
A lama alcansa meu pescoço, suja meus cabelos, entra na minha boca. A lama entope minhas artérias, por mais impossível que isso seja.
Estou irremediavelmente presa à lama.
A lama me engole, me engloba, me toma.
E eu já não posso mais ver.
E estou paralisada com a lama.
E a única coisa que me dá vontade de continuar vivendo, é o som da sua respiração descompaçada no meu ouvido.
É o vento que ela faz e que eriça os pelos da minha nuca.
É a esperança de uma última vez tocar os seus lábios, com o mais suave mel da minha boca.
...
Triste foi quem perdeu seu tempo lendo isso, triste foi quem caminhou ao encontro da morte lendo isso. São apenas memórias insólitas de uma alma refugiada. São apenas memórias de uma morte que ainda não veio. São apenas memórias de quem acha que lembrar não vale a pena...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A primeira

Sinceramente não sei como vai ser escrever em um blog, sinceramente não sei por onde começar, não sei se eu devo me apresentar, e não sei se vai haver algum retorno. É ,a velha frase do "Só sei que nada sei" se encaixa bem aqui. E possivelmente ainda vou duvidar se realmente foi uma boa idéia criar o blog, e escrever nele tudo que eu sinto; porque eu sinto, sinto muito, sinto coisas diferentes em momentos diversos, e tudo ao mesmo tempo, é uma confusão emocional, que ninguém compreende, muito menos eu. Acho que foi bem pra isso que criei o tal blog, pra esvair meus pensamentos. São aqueles momentos que eu desejo irremediavelmente escrever, e escrever sem parar. Uma carta sem fim e sem destintário. Provavelmente uma carta que seria esquecida nos velhos balcões do correio-é claro que eles tem preocupações maiores que uma carta enorme sem nomes.

Ontem eu disse adeus, na verdade pra mim soou como adeus, mas acho que era mais um tchau, um volte sempre, um até amanha.
E o pior é que eu nunca pensei que fosse doer tanto, era um simples adeus, que eu já vinha me progamando para dar a muito tempo.
Mas doeu, e as lágrimas desceram, e não só as minhas como dos meus companheiros que também me diziam adeus.
E apesar de ser um adeus, e de a tristeza me invadir, eu senti um alívio que não compreendo muito bem.
Um alívio como aqueles de longas viagens que um dia chegam ao fim, parece que finalmente se chega em casa.
O problema é que eu não sei se estou chegando de viagem, ou se estou saindo para ela.
Então eu não sei bem dizer se é um fim ou um começo, ou se é um começo sem fim, ou um fim que não se anteveio.


E antes que eu me pegue em mais uma das minhas discuções comigo mesma, e deixe aqui registrada a minha inconstancia emocional, eu digo tchau, como uma vírgula, porque eu voltarei.
Não sei se tive uma experiência bem sucedida, mas eu juro que tentei em cada vírgula.