sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sem mais

Mais palavras, menos olhares, menos comunicação. Mais cabeça quente, mais palavrões, mais ódio e mágoa acumulados. E cada vez mais, o sentimento de culpa que me perseguia se dissipa, se dissolve como uma gota de sangue que pinga no mar. Não é que eu esteja menos culpada, mas o fato é que eu estou menos paciente ou compreensiva. O meu maior desejo é que este ano acabe, e que mais breve possível eu fuja. Fuja da casa que sempre vivi, dos olhares que sempre me preseguiram, das bocas que sempre me ameaçaram. Quero fugir e fazer da minha vida o que eu quiser. Sinto que se eu fugir, o vento vai soprar a minha face, e secar as minhas lágrimas. Se eu fugir, não vai haver mais nada, que não eu mesma. E nesse momento eu sei que serei o ser mais feliz da terra. Não vai mais haver nenhum odor putrefato saindo de bocas supostamente amigas, e nem cobranças nos olhos alheios. Vai haver um mundo azul e cor de rosa, e eu vou ser feliz e rir sozinha.
...
Solo palabras en esto.
Solo palabras para acabaren com mis engaños.
Solo palabras, o enborracharme en un bar.
...
Ele acordou, duvidou que poderia se levantar da cama. Ele acordou e decidiu que talvez fosse melhor não levantar, e não levantou, ficou ali só olhando, o sol nascendo na janela.
...
Sem mais palavras.

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